Talvez sejamos cegos para os sentimentos dos outros (principalmente das mulheres)

 “Em algum lugar há uma mulher: 30 anos, sem filhos.” Um artigo genial de como podemos ser cegos para os sentimentos dos outros – Talvez sejamos cegos para os sentimentos dos outros (principalmente das mulheres)

Às vezes dizemos às outras pessoas palavras que podem não significar muito para nós, às vezes pode ser apenas para evitar um silencia constrangedor, só para dizer alguma coisa. Porém não temos ideia de como as pessoas podem reagir a partir dessas palavras. Você já parou para pensar nisso?

A escritora Nadirah Angail publicou um artigo bastante comovente em seu blog sobre como é fácil machucar os outros sem nem mesmo notar. Ela quer nos tornar mais atentos, sensíveis e unidos.

O Genial.Club quer compartilhar este artigo de Nadirah que, com certeza vai comover qualquer um que o ler.

“Cuide do seu próprio útero”

@Cristian Newman

“Em algum lugar há uma mulher: 30 anos, sem filhos. Todos perguntam a ela: “Ainda não tem filho?” Sua resposta varia de dia para dia, mas geralmente inclui alguns sorrisos forçados e constrangimento.

“Não, ainda não”, ela responde com um sorriso, abafando a sua frustração.

“Bem, não espere para sempre. O tempo está passando, sabe…”, diz a sábia antes de partir, feliz consigo mesma por transmitir tal sabedoria erudita. A sábia vai embora. A mulher segura o seu sorriso. Sozinha, ela chora…

Chora porque engravidou quatro vezes e abortou todas.

Chora por que começou a tentar ter um bebê na noite de núpcias e, isso foi há cinco anos.

Chora por que o marido tem uma ex-mulher e ela lhe deu filhos.

Chora por que quer desesperadamente tentar in vitro, mas não pode pagar por isso.

Chora porque fez in vitro (várias vezes) e ainda não tem filhos.

Chora porque seu medicamente impede a gravidez.

Chora porque esse problema causou e ainda causa atritos em seu casamento.

Chora porque o médico disse que está tudo bem e ela sabe que não está.

Chora porque o marido se culpa, e essa culpa o torna uma pessoa difícil de se conviver.

Chora porque todas as suas irmãs têm filhos.

Chora porque uma de suas irmãs não queria filhos.

Chora porque a sua melhor amiga está grávida.

Chora porque foi convidada para outro chá de fraldas.

Chora porque a sua mãe fica perguntando: “O que você está esperando?”.

Chora porque seus sogros querem ser avós.

Chora porque os vizinhos tem gêmeos e os tratam muito mal.

Chora porque uma adolescente de 16 anos engravida sem nem ao menos tentar.

Chora porque ela é uma tia incrível.

Chora porque ela já escolheu nomes.

Chora porque há um quarto vazio em sua casa.

Chora porque há um espaço vazio em seu corpo.

Chora porque ela tem muito a oferecer.

Chora porque ele seria um ótimo pai.

Chora porque seria uma ótima mãe, mas não é.

Em outro lugar, tem outra mulher: 34 anos, cinco filhos. As pessoas dizem a ela: “Cinco? Meu Deus, espero que você feche a fábrica!” E então eles riem… porque esses tipos de comentários são engraçados. A mulher também ri, mas não de verdade. Ela muda de assunto, como sempre faz e, passa por cima do desrespeito. Apenas outro dia. Sozinha, ela chora…

@Piron Guillaume

Chora porque está grávida de novo e sente que tem que esconder a alegria.

Chora porque sempre quis ter uma família grande e não vê por que as pessoas ficam tão perturbadas com isso.

Chora porque não tem irmãos e se sentia profundamente sozinha quando criança.

Chora porque sua avó tinha 12 filhos e ela adoraria ser igual a ela.

Chora porque não conseguia imaginar a vida sem filhos, mas as pessoas a tratam como se isso fosse um castigo.

Chora porque ela não quer se sentir culpada.

Chora porque as pessoas presumem que não era isso que ela queria.

Chora porque presumem que ela é simplesmente irresponsável.

Chora porque acreditam que ela não tem voz.

Chora porque se sente incompreendida.

Chora porque está cansada de defender as suas escolhas pessoais.

Chora porque ela e o marido são perfeitamente capazes de sustentar a família, mas isso não parece importar.

Chora porque está cansada dos comentários “engraçados”.

Chora porque ela sabe cuidar da sua vida.

Chora porque deseja que os outros também cuidem das vidas deles.

Chora porque às vezes duvida de si mesma e se pergunta se deveria ter parado há dois filhos.

Chora porque outras pessoas são rápidas em fazer críticas e lentas em oferecer ajuda.

Chora porque está cansada de tanta fofoca.

Chora porque as pessoas são grosseiras.

Chora porque tantas pessoas parecem ter opiniões sobre a sua vida particular.

Chora porque tudo que ela quer fazer é viver em paz.

 

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@ Janko Ferlič

Outra mulher: 40 anos, um filho. As pessoas dizem: “Só um? Você nunca quis mais?”“Estou feliz com o meu”, ela diz calmamente, uma resposta já ensaiada que ela deu mais vezes do que ela poderia contar. Bastante verosímil. Ninguém jamais suspeitaria que sozinha, ela chora…

Chora porque sua única gravidez foi de fato, um milagre.

Chora porque o filho pede um irmão ou irmã.

Chora porque sempre quis pelo menos três filhos.

Chora porque a sua segunda gravidez teve que ser interrompida para salvar sua vida.

Chora porque seu médico diz que seria uma gravidez de “alto risco”.

Chora porque está lutando para cuidar do filho que tem.

Chora porque às vezes um filho dá tanto trabalho que mais parecem dois.

Chora porque seu marido nem pensa em ter outro filho.

Chora porque seu marido morreu e ela não encontrou o amor novamente.

Chora porque sua família acha que basta.

Chora porque está mergulhada na carreira e não consegue dar um passo para trás.

Chora porque se sente egoísta.

Chora porque ainda não perdeu o peso da primeira gravidez.

Chora porque sua depressão pós-parto foi muito intensa.

Chora porque ela não consegue se imaginar passando por isso de novo.

Chora porque tem problemas com o corpo e a gravidez só pioraria tudo isso.

Chora porque ainda luta contra a bulimia.

Chora porque teve que fazer uma histerectomia.

Chora porque quer outro filho, mas não pode ter.

Essas mulheres estão por toda parte. Elas são nossas vizinhas, nossas amigas, nossas irmãs, nossas colegas de trabalho, nossas primas. Elas não precisam de nossos conselhos ou opiniões. Seus úteros são seus. Vamos respeitar isso.”

Este texto foi publicado em 2016 e, de lá para cá também temos falado muito sobre as mulheres ou casais que não querem ter filhos, por isso, nós do Genial.Club, decidimos complementar o artigo, de forma a incluir essas pessoas.

“Mais uma mulher: 30, 40 ou 50 anos, sem filhos. Todos a questionam: “Por que você não quer ter filhos?”

“É uma escolha perfeitamente normal”, diz ela tranquilamente. Apesar de já ter feito essa escolha e pensado durante muito tempo sobre isso… Sozinha, ela chora…

Chora porque ninguém respeita a sua escolha.

Chora porque ela e o parceiro decidiram isso juntos e ninguém parece se importar.

Chora porque pensam que a “culpa” é dela.

Chora porque está cansada de ouvir o que deveria fazer.

Chora porque o ideal romântico da maternidade nunca foi o seu sonho.

Chora porque todos julgam a sua liberdade de escolha.

Chora porque nasceu estéril.

Chora porque não odeia crianças como todo mundo pensa.

Chora porque todos perguntam “Quem vai cuidar de você quando você for velha?”.

Chora porque é chamada de egoísta.

Chora porque seus animais de estimação são mais do que suficientes, mas ninguém liga.

Chora porque se sente confortável com a sua escolha.

Chora porque sente que “falhou” como mulher.

Chora porque não se encaixa nos padrões impostos pela sociedade.

Você concorda com a opinião da autora? De que não devemos fazer essas perguntas às pessoas? Nenhum, um, dois, três, quatro, cinco filhos… Vale a reflexão!