Há milhões, o Caribe inundou a floresta amazônica

Muito antes de as árvores da atual Amazônia alcançarem o céu, dizem os cientistas, os tubarões costuraram através das águas salgadas ali, e o camarão mantis chacoalhou pelo chão da floresta inundada. Os pesquisadores publicaram suas descobertas na revista Science Advances que dizem que há milhões, o Caribe inundou a floresta amazônica – duas vezes!

Os cientistas já sabem há algum tempo que uma área da bacia amazônica ocidental estava submersa há milhões de anos. A fonte exata dessa água tem sido objeto de alguma disputa. Alguns pesquisadores imaginaram um grande rio descendo dos Andes, enquanto outros dizem que a inundação deve ter varrido o mar para o interior. Mas nenhum dos lados tinha evidências convincentes para apoiar suas ideias – até agora.

Os pesquisadores estudaram dois núcleos de sedimentos de quase 600 metros de comprimento, um levado por uma empresa de petróleo no leste da Colômbia, e outro levado através da fronteira no noroeste do Brasil pelo Serviço Geológico Brasileiro. Cada um estava repleto de detritos naturais de milhões de anos de vida local.

 

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A maior parte de cada núcleo contava a história de um mundo em terra firme, mas dentro de duas fatias finas – uma de cerca de 18 milhões de anos atrás, outra de cerca de 12 milhões de anos atrás – um vislumbre do mar apareceu. Os núcleos completos continham um total de 933 tipos diferentes de grãos de pólen. As fatias finas incluíam tipos de pólen encontrados apenas na água salgada.

Pistas maiores ainda estavam por vir: os pesquisadores também encontraram um dente de tubarão fossilizado e os restos de um camarão mantis. “É um ecossistema perdido”, disse o autor principal Carlos Jaramillo, do Smithsonian Tropical Research Institute, a Lizzie Wade em Science.

Carcharhiniformes indet. dente do núcleo Saltarin, Formação Carbonera C2, inundação no início do Mioceno. JORGE CARILLO

 

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Um tubarão Carcharhinus moderno, semelhante ao tubarão fóssil encontrado nas enchentes do início do Mioceno. GABY CARÍAS TUCKER E ALBERTO BLANCO DÁVILA

Com duração de algumas centenas de milhares a alguns milhões de anos, cada período de inundação foi relativamente breve do ponto de vista geológico, diz Jaramillo. Mas eles não foram tão breves para não alterar completamente a paisagem.

“O tempo de vida de uma única árvore do dossel da Amazônia é de cerca de 200-400 anos”, diz ele. “Portanto, por milhares de gerações, nenhuma árvore poderia ocupar a Amazônia. Em outras palavras, a imensa floresta que vemos hoje é geologicamente jovem.”

 

As descobertas foram uma surpresa até para Jaramillo e seus colegas. Ele acrescentou: “Eu era da opinião que não houve inundações, mas descobri que estava errado!”