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Entenda para fazer diferença: Epilepsia


Aqui na empresa, um de nossos colegas sofre de epilepsia. Não foram poucas às vezes que todo o escritório parou para auxiliar nosso colega em uma destas crises. É uma situação assustadora para quem nunca havia presenciado (como eu), alguns inclusive – acham que a pessoa que sofre de uma condição destas – tem o controle sobre o que está acontecendo. Mas ela não tem.

Resolvemos mudar um pouco o tom desta publicação para que ela tenha mérito de orientação! E seja uma leitura leve.
Para começar:

Qualquer pessoa pode eventualmente ter crises e são vários os fatores que levam a isso – de febre até a condições neurológicas mais severas. Talvez boa parte das pessoas não esteja pronta para entender o que leva a uma crise convulsiva, mas é importante que você e todos os seus amigos e colegas, saibam como se portar ao presenciar alguma crise.

É mito:

Quem sofre com crises não engole a língua. Em uma crise total (quando a pessoa perde totalmente a consciência), ela normalmente morde sua própria língua e claro, com isso, vem muito sangue.

É verdade (e queremos falar isso!!!):

Pessoas que sofrem de epilepsia tendem a ter maior dificuldade em conseguir emprego – mas NÃO – isso não ocorre devido a sua capacidade profissional. Infelizmente ocorre porque OS EMPREGADORES, tendem a não querer um funcionário que sofra desta condição. Infelizmente, muitos acabam mentindo pelo tempo que for possível, para conseguir manter o emprego. E isso é triste.

Aqui na empresa mesmo, na entrevista de contratação feita com nosso colega (que inspirou este artigo), nosso colega foi sincero e explicou que sofre de epilepsia – Ele disse que já imaginava que não seria contratado (devido a sua condição) – ele disse com um sorriso enorme no rosto, que não acreditou quando recebeu a ligação do RH dizendo que se ele quisesse a vaga, ela seria sua. Sem querer puxar pano para ninguém, mas ele é fantástico no trabalho e é um dos melhores programadores da empresa 🙂

Na semana seguinte, no primeiro dia de trabalho dele, tivemos uma reunião logo pela manhã e já nos foi informado sobre o que poderia ocorrer. Pediram nossa compreensão – nessa mesma semana recebemos a visita de uma enfermeira, esta, nos instruiu como proceder em caso de presenciarmos uma crise – os primeiros socorros e cuidados.

É importante:

Posso falar por mim, que quando presenciei a primeira crise de nosso colega (há cerca de 4 anos), eu não soube o que fazer. Fiquei horrorizada, mas uma de nossas colegas (que com certeza entende mais sobre os primeiros socorros e cuidados do que eu), agiu de forma absolutamente exemplar (palavras do atendimento do SAMU).

É complicado:

Jamais coloque nada na boca de quem está tendo uma crise epilética. Você pode se machucar ou machucar a pessoa que está sofrendo essa a crise. Soubemos (mas não conseguimos conferir a informação), que não são raros os casos de que ao colocar algo na boca de quem está sofrendo a crise, esta pessoa quebra e engole o que foi colocado – sufocando e podendo chegar até a morte.

Como socorrer:

Esta é parte que mais assusta todo mundo que presencia uma crise epilética. Mas socorrer não é tão difícil quanto você imagina. Vamos dividir em três passos simples:

1. A primeira coisa a fazer é afastar qualquer possível “arma” que quem está sofrendo a crise possa “usar” contra ela mesma. Remova cadeiras, mesas e qualquer outro objeto que esteja presente em torno da pessoa que está sofrendo a crise, ela fará movimentos involuntários e isso pode fazer com que ela se machuque muito;

2. Cuidado – a pessoa que está passando por uma crise – pode te machucar e nem vai saber sobre isso. Mas o objetivo seguinte é suspender um pouco a cabeça de quem sofre a crise (se possível, enquanto ela está passando pela crise – isso evita com que ela bata a cabeça no chão). Aqui no trabalho mesmo, já coloquei nosso colega no meu colo enquanto ele tinha uma crise. Ajudou a não machucar a cabeça, e logo que possível, virei um pouco a cabeça dele, ele conseguiu recuperar a respiração rapidamente.

3. No Brasil: Ligue para serviços de emergência como SAMU (192), SIATE (193) ou Bombeiros (198), na dúvida, você pode SIM ligar para a polícia (190) e pedir para reencaminhar a ligação.

Um apoio vai bem:

Segundo o que conversamos com nosso colega, é bem comum que após uma crise de epilepsia a pessoa afetada fique com certa “depressão” – e isso pode durar alguns dias. Dê seu apoio.

Existem vários e vários tipos de crise:

Hoje eu já sei que existem muitos tipos de crise – tais como: total, parcial, refratária e tantas outras. Nosso colega tem crises totais (que hoje são raras, a última ocorreu no dia 02 de março de 2020) e crises parciais ou crises de ausência (que são comuns e ocorrem algumas vezes por semana).

Não tem cura:

Infelizmente, a epilepsia não tem cura. Ela é de possível tratamento e existem algumas medidas mais intrusivas quando se descobre a causa – e é justamente aí que complica: A maior parte dos casos de epilepsia não tem o motivo descoberto. Então o tratamento é um ajuste fino e pode demorar algum tempo para chegar há algum resultado de controle.

Medicamento todo dia:

Nosso colega tem uma caixinha de medicamentos na mesa dele (destes divididos por dia e hora) – antes da pandemia – era comum nós chegarmos, pegarmos a caixinha e colocarmos na cara dele dizendo: Hora do seu remédio. Hoje só gritamos pra ele do outro lado da sala ou mandamos mensagem via Whatsapp, avisando que ele esqueceu de tomar o remédio ou pedindo se já tomou.

Várias opiniões médicas = Melhor resultado:

Nosso colega tem um tratamento “mais tranquilo” hoje em dia. Em 2016 e 2017 ele chegou a tomar 25 capsulas de um medicamento chamado DEPAKOTE, todos os dias – mais tarde – outros neurologistas disseram para ele, que este tratamento não era eficiente no seu caso. Na época as crises dele não eram tão controladas como são hoje.
Este mesmo medicamento pode ser indicado para algumas pessoas, mas para nosso colega aparentemente não era o recomendado. Então sempre que possível sugira a quem sofre de epilepsia a buscar a maior quantidade de opiniões de especialistas.
(Enquanto escrevo este pequeno artigo diferente, gritei para nosso colega e pedi quais os medicamentos que ele toma, ele respondeu: – TRILEPTAL e FRISIUM, que totaliza 5 capsulas/comprimidos por dia).

Nas exatas palavras do nosso colega:

“Comecei a ter crises com 20 anos, hoje tenho 34. Já fui acusado de ser usuário de entorpecentes, já fui acusado de estar fingindo e até mesmo estar possuído por uma entidade demoníaca.

Sempre gostei de trabalhar com tecnologia, e cheguei a mentir em entrevistas de emprego e tive sucesso em ser contratado. Mas em todos os casos, fui desligado logo após ter minha primeira crise no novo trabalho.

Nos primeiros meses trabalhando com vocês, cheguei a chorar em casa… Não porque estava triste, chorava porque estava em um local que podia ficar confortável. Todos entendiam que eu sofria de algo que não estava sobre meu controle. Hoje estou trabalhando bastante e feliz.

Quando tenho uma crise total, tenho um apagão de memória. Elas voltam aos poucos, mas leva uns dias. Já tive prazos afetados por isso. A compreensão da empresa me deixa de coração cheio.
As crises de ausência me fazem ficar desligado por alguns segundos, talvez minutos. Mas também estão reduzindo.”

Esta publicação foi redigida como forma de conscientização.


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