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Como os humanos podem sobreviver à Terra


Tudo começa com um pequeno salto planetário!

@Elena Mozhvilo/Unsplash

Guerra nuclear. Mudanças climáticas descontroladas. Uma pandemia global. Hoje, nosso planeta enfrenta todos os tipos de ameaças existenciais. Mas possibilidades assustadoras como essas não são nada se comparadas ao que os astrônomos dizem que está reservado para a Terra. O destino final do nosso planeta é ser cozido, destruído e eventualmente desintegrado.

E, não há nada que possamos fazer para evitar esse cataclismo. No entanto, de acordo com os cientistas que estudam o futuro distante, incluindo o astrônomo da Universidade de Yale, Gregory Laughlin, a perspectiva de vida, é estranhamente, bastante brilhante. Dados os avanços tecnológicos e a evolução contínua de nossa espécie, os humanos devem ser capazes de sobreviver – de alguma forma – muito depois que a Terra deixar de existir.

Mas nossos descendentes distantes terão que fazer alguns Planet Hopping – Ou seja, saltos entre planetas.

A era multiplanetária

@Luis Graterol/Unsplash

A primeira grande crise cósmica tem previsão de ocorrer em cerca de 1,5 bilhão de anos. Nesse ponto, de acordo com as projeções do cientista ambiental Andrew J. Rushby, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, o brilho do sol vai provocar o que pode ser chamado de aquecimento “super global”. A Terra será aquecida até os oceanos ferverem.

Até então, vamos nos importar com tudo isso?

Afinal já temos a tecnologia para estabelecer bases na Lua e em Marte. Portanto, daqui a um bilhão e meio de anos, provavelmente já teremos colonizado todo o sistema solar – e talvez até outros sistemas estelares em nossa galáxia, a Via Láctea.

Conforme o sol fica mais quente, os outros planetas se tornam mais atraentes não é mesmo? Assim como a Terra se torna muito quente para sustentar a vida, Marte atingirá uma temperatura que o tornará habitável. A astrônoma da Universidade de Cornell, Lusa Kaltenegger, executou modelos que mostram que o Planeta Vermelho poderia permanecer agradável por mais 5 bilhões de anos.

Cerca de 7,5 bilhões de anos a parte de agora, o Sol irá exaurir seu combustível de hidrogênio e mudar para o hélio. Isso fará com que ele se transforme em uma enorme gigante vermelha. Marte, assim como a Terra, serão fritos. Por outro lado, as luas geladas de Júpiter e Saturno terão se tornado mundos aquáticos e tropicais – um lugar privilegiado para as colônias humanas. Poderíamos então, viver por lá por algumas centenas de anos.

Daqui a cerca de 8 bilhões de anos, o sol escaldante tornará as condições insuportavelmente quentes até Plutão – as datas exatas dependem de quanta massa você estima que o Sol poderá perder e de quanto os planetas irão se mover. Mas a mensagem é bem clara: a vida será impossível em nosso sistema solar.

A era das estrelas

@NASA/Unsplash

Felizmente, existem 200 bilhões de outras estrelas na Via Láctea, a maioria com planetas próprios. Talvez nossos descendentes vão ter dominado a viagem à velocidade da luz. Mesmo com a tecnologia atual, no entanto, a viagem interestelar é concebível no tipo de escala de tempo de que estamos falando.

A espaçonave mais rápida construída até hoje, a Voyager 1, está fugindo do Sol a 61.19852km por hora. Nessa velocidade, levaria 70 000 anos para chegar à estrela mais próxima. Mas os humanos do futuro podem construir arcas interestelares nos quais gerações de viajantes viveriam e morreriam antes de entregar os colonizadores a um novo destino. Esses colonizadores podem se espalhar por toda a nossa galáxia antes que a Terra superaqueça, mesmo supondo que não haja avanços em naves ou foguetes.

No início, esses viajantes podem escolher zarpar para planetas em torno de estrelas amarelas de tamanho médio semelhantes às nossas. Isso vai cuidar de nós por um bom tempo, já que as estrelas semelhantes ao Sol duram cerca de 12 bilhões de anos antes de desaparecerem. Conforme uma estrela envelhece e morre, podemos passar para a próxima.

Nós, portanto, temos tempo.

No entanto, daqui a 50 bilhões de anos, toda a matéria-prima para novas estrelas será usada. A última geração de estrelas semelhantes ao Sol se extinguirá e os humanos precisarão de um novo tipo de lugar para morar.

Acontece que temos opções melhores do que estrelas amarelas como o nosso sol. A Via Láctea é pontilhada de anãs vermelhas, mais frias e mais escuras que o nosso Sol, mas feitas para durar.
E assim, os planetas ao redor de estrelas anãs vermelhas, podem ser nossos lares até cerca de 15 trilhões de anos a partir de agora, quando também expirarão.

A era gravitacional

@Bryan Goff/Unsplash

As anãs vermelhas serão a última geração de estrelas. Assim que morrerem, o universo ficará escuro – literalmente – mesmo assim, isso não é o fim da linha para a vida – em vez disso, entraremos no que Laughlin chama de “era gravitacional”.

Nesse futuro sombrio, podemos construir enormes usinas espaciais em torno dos buracos negros, reduzindo as massas em direção a eles para colher sua atração gravitacional ou, podemos aproveitar o calor interno dos planetas para gerar energia.

Não imagine os humanos morando em cavernas amontoados em torno de aquecedores geotérmicos. Trilhões de anos de evolução vão nos transformar – e muito. Talvez tenhamos fundido nossos corpos com computadores. Talvez nem tenhamos uma forma física. A única coisa que nossos descendentes definitivamente terão em comum conosco é a centelha essencial da vida: a informação.

Segundo Laughlin, esta é a lição mais importante de se pensar sobre o universo do futuro distante – estamos sendo ingênuos quando pensamos na vida apenas em termos de planetas semelhantes à Terra e vida baseada em carbono.

A vida baseada em informações pode continuar quase para sempre. A era gravitacional que começa por volta de 15 trilhões de anos a partir de agora pode continuar por quintilhões de anos e além, estima Laughlin. É um trilhão de vezes mais longo que toda a história de nossa linhagem hominídea na Terra – Só para termos uma noção melhor, um quintilhão é 1 seguido por nada mais, nada menos que 18 zeros.

O universo morrerá antes de nós?

@NASA/Unsplash

Ainda assim, mesmo essa quase eternidade não é o mesmo que eternidade. Em algum ponto, a vida atinge os limites físicos da própria matéria.

As teorias da física sugerem que em algum momento entre 1 decilhão e 1 vigintilhão de anos a partir de agora, os prótons encontrados no núcleo de todos os átomos irão decair. Isso significa que os buracos negros serão a única forma organizada de matéria do universo. A humanidade futura não pode ter nenhuma forma física neste momento.

Aos 10 duotrigintilhões de anos depois de Cristo – até os buracos negros evaporarão. Não haverá energia ou estruturas de qualquer tipo – apenas uma névoa fria e eterna de partículas. Este ponto, é realmente o ponto final da vida.

Ou talvez não. Paul Steinhardt, da Universidade de Princeton, está explorando um modelo no qual o universo para por ciclos intermináveis de criação. Sua última verão, desenvolvida com Anna Ijjas da Universidade de Columbia, sugere que o universo poderia experimentar um novo Big Bang bem antes do apocalipse final do buraco negro.

Se isso acontecer, um nobo Big Bang apagará todos os vestígios deste universo – a menos que possamos encontrar uma maneira de saltar para o próximo ciclo cósmico. A física atual não oferece nenhuma orientação a partir daqui.

Então, novamente, teremos um bom tempo para refletir sobre o problema.

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