Após crimes: Psicopata brasileiro se escondeu na mata durante 03 anos

No sudoeste do estado do Paraná existe uma pequena cidade chamada Enéas Marques – nesta cidade com pouco mais de 6000 habitantes ocorreram vários crimes bárbaros em um curtíssimo espaço de tempo. A história que vamos contar agora, tem desfecho muito similar com de filmes Holywoodianos. Após crimes: Psicopata brasileiro se escondeu na mata durante 03 anos.

@Divulgação/PM Paraná

Em 07 de janeiro de 2010, o corpo de bombeiros de Francisco Beltrão foi chamado para atender uma ocorrência: um incêndio de grandes proporções em uma residência na cidade vizinha. Ao chegarem no local, o fogo já havia consumido toda a casa que ali ficava, e a ação de combate às chamas começou. Depois do rescaldo foram encontrados em meio aos escombros os corpos de Petronilha Maria Casanova (84 anos), Gema Antonio Reolon (45 anos), Gisele Indiana Reolon (14 anos), Gian Lucas Reolon (08 anos).

Em conversas com os vizinhos e durante o levantamento de informações (logo após o combate as chamas), os bombeiros souberam da existência de mais um membro da família: Gilmar Reolon. O que preocupou os bombeiros foi que o corpo de Gilmar não foi encontrado.

Por falta de restos mortais, a suspeita dos bombeiros era de que Gilmar pudesse estar já sem vida em um porão da residência – e para isso, foi utilizada até uma retro escavadeira na tentativa de localizar o corpo.

Nada foi encontrado.

As quatro vítimas foram enviadas ao IML (instituto médico legal) de Francisco Beltrão e lá permaneceram durante algum tempo. A busca pelo corpo de Gilmar continuou enquanto foi possível, mas as autoridades notaram que seu veículo particular não estava na propriedade. Com essas descobertas a história começou a ganhar rumos diferentes.

Já nos primeiros momentos das buscas pelo então, novo suspeito – os policiais descobriram que Gilmar tinha sérios problemas financeiros – somando estes fatos ao homicídio do pai de Gilmar (ocorrido em 2009 e até então sem solução), todas as suspeitas da polícia recaíram sob o então “desaparecido”.

Nos dias seguintes, a polícia trabalhava com a hipótese de que Gilmar Reolon teria tido algum surto, iniciado o incêndio e fugido da região. As suspeitas ganharam força quando o IML e a perícia da Polícia Civil emitiram um laudo onde as causas das mortes da família de Gilmar foram apontadas como sendo: de natureza proveniente de impacto.

A sogra, esposa e filhos de Gilmar tinham marcas que apontavam causa da morte anterior ao incêndio. Mais tarde a polícia informou que os quatro provavelmente haviam sido mortos a pauladas, de forma similar ao homicídio de 2009 (morte do pai de Gilmar).

 

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Ninguém achava Gilmar Reolon!

Não existiam informações ou pistas – mas as buscas não foram suspensas.

Na semana que se seguiu as mortes da família, mais um assassinato ocorreu: uma adolescente vizinha do local onde Gilmar morava foi assassinada.

As buscas por Gilmar continuaram.

Ele não foi encontrado naquela semana, nem naquele mês nem naquele ano e nem no ano seguinte. Muitos imaginavam que ele estava no Paraguai.

Cerca de três anos depois, cabeças de gado começaram a aparecer multiladas. Alguns cogitaram roubo, outros até vandalismo, o interessante foi que as teorias da população ganharam muita atenção:  poderia ser Gilmar Reolon!

Assim, novamente, a polícia fez buscas e novamente nada foi encontrado.

Depois de quase 1000 dias, as buscas já haviam novamente esfriado.

Mas no dia 11 de janeiro de 2013 em uma busca despretensiosa, Gilmar Reolon foi capturado.

@Divulgação / Polícia Militar do Paraná – Gilmar Reolon é preso

Desde os assassinatos, Gilmar estava vivendo totalmente sozinho em meio a mata! 

Gilmar estava vivendo há cerca de 03 anos escondido em uma mata fechada, sem contato com nenhum outro ser humano! Ele foi capturado próximo há uma comunidade rural com poucos moradores.

Apesar de todas as circunstâncias, Gilmar ainda era tratado como suspeito das seis mortes: Seu pai, esposa, filhos a vizinha e sogra. Os tramites legais começaram a ocorrer – no entanto – não foi necessário muito tempo, pois Gilmar Reolon confessou dizendo o seguinte:

Cometi os assassinatos e agora espero o diabo vir me buscar

@Divulgação / Polícia Militar do Paraná / Entrevista de Gilmar Reolon

O julgamento ocorreu em Francisco Beltrão e apesar da gravidade dos crimes e dada a confissão do acusado, após 10 horas veio a sentença: 150 anos de prisão.

Gilmar está preso na ‘Cadeia Estadual de Francisco Beltrão’ e não há possibilidade de liberdade condicional. Ele vai morrer na prisão.

Alguns detalhes que foram descobertos com as confissões de Gilmar:

  • Em 2009, fez um empréstimo com seu pai, não conseguiu a quantidade para devolver. Houve discussão entre os dois em uma espécie de “paiol” e Gilmar acabou também matando o pai a pauladas. Ele simulou o roubo, sua ideia era não ser tratado como suspeito, e não foi! Após confessar, inclusive levou a polícia no local onde havia escondido os itens que havia levado para fazer parecer um roubo;
  • As mortes de sua família foram provocadas por pauladas. Gilmar disse que foi de quarto em quarto executando seus familiares e que isso tudo ocorreu porque estava com vergonha de sua condição financeira e de sua incapacidade de manter a família. Após os assassinatos, iniciou o incêndio que consumiu a casa onde morava e que seus familiares já estavam sem vida dentro da casa há pelo menos um dia;
  • A adolescente morta nos dias após ao assassinato de sua família, também foi sua responsabilidade. Afirmou que sabia que os vizinhos não estariam em casa na tarde em questão, e como estava há alguns dias sem se alimentar resolveu invadir a casa – a adolescente estava em casa e acabou vendo Reolon que por medo de ser identificado atacou a garota e a matou com uma pedra;
  • No dia seguinte aos assassinatos de sua família, Gilmar disse que pegou seu carro e foi até Francisco Beltrão, onde passou o dia todo perambulando pelo centro da cidade, apenas no dia seguinte ateou fogo a casa;
  • Na noite posterior ao assassinato da sua família ele voltou para região próxima de onde morava, e se embrenhou na mata para sair apenas três anos depois. Ele foi encontrado há menos de 10km da casa em que morava com sua família;
  • Disse que durante o período em que viveu na mata tentou suicídio duas vezes e nas duas não conseguiu: Na primeira, logo após os crimes, tentou se enforcar em uma árvore, mas o galho não suportou o peso e quebrou, já na segunda ficou sem comer por algumas semanas;
@Divulgação PM / Reolon Capturado

Quando indagado sobre o tempo que passou foragido, afirmou algumas coisas:

  • Quando ficava doente “respirava ar de formigueiro”, que é o ato de abrir um buraco em um formigueiro e respirar “o ar que sai de lá”;
  • O gado multilado não foi toda responsabilidade dele. Houve um total de 16 animais multilados na época, mas Gilmar disse ser responsável por no máximo 10 dos casos;
  • Afirmou que sabia de datas através das festas da comunidade que ficava próxima onde estava escondido. Quando ocorriam festas em comemoração há alguma data, tinha ideia de que dia poderia ser;
  • Disse que por algumas vezes às buscas passaram muito perto a ele, mas não soube identificar quando nem a ocasião;
  • Disse que utilizava uma chapa de ferro que havia encontrado para ninguém ver o fogo que fazia para se aquecer a noite – e que usava apenas madeira muito seca para evitar excesso de fumaça;
  • Apesar da desconfiança da população, o irmão de Reolon não sabia onde seu irmão estava. Foi ele que auxiliou na captura de Gilmar;
  • Reolon foi pego de surpresa por um policial e seu irmão em meio a mata! Quando percebeu a situação em que estava – atacou o policial que conseguiu dominar e realizar a captura. Afirmou mais tarde que não acreditava que aquele que estava com o policial era seu irmão e somente depois deste mostrar uma cicatriz de infância é que passou a acreditar;

 

@PM Paraná / Estrutura que Gilmar Reolon mantinha na mata

Segundo Gilmar Reolon todos os seus problemas começaram ainda na infância, onde ele era alvo constante de espancamentos por parte de seu pai. No dia em que cometeu o primeiro assassinato, disse que seu pai havia ameaçado ele com agressões. Gilmar está cumprindo seus 150 anos de prisão.

Na data da publicação desta história, ainda não havia completado a primeira década de prisão.

@Divulgação Polícia Militar / Captura de Reolon

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